Entrega

simples rosa branca

Novembro. Passeio pelo bosque, umedecido
pelas efêmeras áureas ondas do Sol
que penetram o frondoso lençol
das árvores, onde dorme o cupido.

Primavera. Anunciada pelas flores.
de todas elas, me encantou só a mais bela
rosa de alvas pétalas, que me debela
com sua graça e seus mais doces odores.

Sinto essa inocência, essa pureza,
e me entrego a esses novos sentimentos
que me libertam, me fazem apreciar sua beleza,
sem medo de espinhos ou lamentos.

Hoje, minha terna flor,
as muralhas do meu coração
estão em pedaços pelo amor.

Isa Rain

Lembranças que não vivi.

foto antiga

Nas fotos antigas
Que foram recriadas pelo tempo,
Nos objetos ultrapassados
Enferrujados.

Nos vestidos desbotados,
Nos livros surrados,
Com o cheiro do ácaro
Em seus tecidos e páginas.

No barulho da antiga máquina de escrever,
No som dos discos de vinil,
Na caixinha de música
E de costuras de minha mãe

Na vitrola,
Na máquina polaroide de meu avô,
No rádio de botões e antena,
Nas cartas de amor rasgadas pelo tempo.

Vejo memórias de um passado que não vivi.

-Rejane Leopoldino

Cadeados ingleses

Guarde meu amor, querido, coloque em uma caixinha de bronze trancada por cadeados ingleses, e ele será apenas seu. Nem o maior dos voleurs terá a ferramenta necessária para roubar este amor que apenas pertence a ti. Mesmo que sejas um imbecil, e me deixes sempre a prantos no chão, me sentirei garbosa por não ser uma de suas meretrizes com que encistes de passar a noite. Vontades e desejos, não servem de consolo.

Cadeados ingleses, também me prenderão a você, me prenderão ao seu cheiro inebriante, acorrentarão meu coração frágil, aprisionarão minha alma, entrelaçarão nossos corpos.


Rejane Leopoldino


Sobre o nu Artístico

Agora compreenderemos melhor o porquê uma arte preocupada principalmente pela figura humana deva atender antes de tudo ao nu, assim como a razão de que este tenha constituído o problema mais apaixonante da arte clássica de todas as épocas. Não somente é o melhor veículo transmissor de tudo aquilo que na arte corrobora e acrescenta de maneira imediata o sentido da vida, mas é também em si mesmo o objeto mais significante do mundo dos homens.

— Bernard Berenson, Os pintores italianos do Renascimento (1954).