É o começo de uma nova etapa para mim – e muitas coisas estão por vir

Rejane Leopoldino


Eu não escrevia poesia a muitos anos, o motivo vocês já sabem.
Acontecimentos extraordinários ocorreram nos últimos meses, principalmente no meu campo emocional e afetivo e em determinado momento, a poesia me pareceu ser uma porta de saída para emoções e sentimentos que me inundavam mas não conseguia expressar. Quando dei por mim, já estava escrevendo muitos poemas com uma facilidade que eu não tinha a anos. E me parece adequado compartilhá-los aqui. Primeiro porque acredito que essa maré de não me identificar ou me reconhecer como uma escritora durou tempo demais e apenas prejudicou minha auto estima com pensamentos de que eu talvez não fosse boa o suficiente para exercer esse ofício, e segundo, porque já passou da hora de superar meus traumas do passado em relação a poesia.

Há muitas novidades por vir e o blogue vai ser a porta de entrada dessas novidades. Então fiquem atentos a algumas mudanças (e novidades) que vão chacoalhar positivamente as estruturas deste blogue e as minhas.

– Rejane Leopoldino

 

 

 

 

 

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Poemas experimentais de uma poetisa há muito adormecida

Se a intenção era não desenvolvermos uma relação vazia, falhamos.
porque a falta que a sua presença faz
É um vazio


Faria melhor pro meu ego
(e com certeza doeria bem menos)
se eu tivesse sua presença em demasia
só para poder me afogar em você
de novo (e bem mais do que da primeira vez)

Desejos do meu eterno egocentrismo
uma parte minha que não se importa em sair machucada
contanto que possa provar de você um pouco mais


Não consigo dizer o quanto eu queria ficar
e eu teria ficado
o que tira meu sono é saber que
você merece um amor muito maior do que eu posso oferecer
o que tira meu sono é saber que
ao fechar meus olhos, você será o protagonista
como foi nas últimas 5 noites


Eu menti
na verdade, o que não sai da minha memória
são suas mãos acariciando minhas costas
no momento em que eu não sabia onde você começava
e eu terminava.

– Rejane Leopoldino

Ainda sobre Marie de Gounay e o livro Arqueofeminismo, de Maxime Rovere.

Vejam como a mente de Marie de Gounay (e eu não me canso de falar desta mulher) escritora e filósofa francesa era perspicaz:

Ela escreveu uma carta à rainha regente Ana de Áustria, filha de Felipe III e Margarida de Áustria, esposa de Luís XIII (depois da morte do rei, Ana assumiu o trono francês como regente no período de 1643 a 1651, até quando Luis XIV atinge a maioridade e torna-se rei em sucessão à sua mãe), a incentivando a apoiar a igualdade entre homens e mulheres e servir como exemplo para seu sexo em uma época dominada pelo patriarcado onde as mulheres não tinham suas vozes ouvidas a menos que estivessem sendo apoiadas por outros homens. Uma carta à rainha, ela não poderia ser chamada de menos do que ousada.

Não satisfeita, Marie de Gounay também escreveu o livro “Igualdade entre homens e mulheres” que serve como um tapa na cara de todos aqueles que acreditam na supremacia masculina. Ela não mediu esforços para embasar o seu pensamento igualitário, citando como fontes infinitas mentes antigas de nome ilustre, tais quais Platão e Sócrates que atribuem as mulheres os mesmos direitos, faculdades e funções ou ainda Plutarco, que em seu segundo livro de sua obra “Moralia” defende que a virtude do homem e da mulher são iguais. E ela não para por ai, Erasmo, teólogo e humanista, Poliziano, humanista, dramaturgo e poeta e Agrippa, pensador alemão famoso por argumentar em seu escrito “sobre a nobreza e pré excelência do sexo feminino”, que as mulheres poderiam ser consideradas superiores ao sexo masculino, ela citou todos estes nomes e vários outros, todos se opondo a aqueles que desprezam o sexo feminino, e quando já havia falado sobre as mulheres no campo intelectual, passou a falar da participação feminina na nobreza, criticando a Lei Sálica, que foi um código elaborado no início do século IV e que ainda estava em vigência na alta Idade Média. No século XIV, um artigo desse código foi separado do seu contexto original e empregado por juristas da dinastia real capetiana na França, para justificar a proibição das mulheres a ascenderem ao trono francês.

Após falar sobre a desigualdade sexual na nobreza, e nos campos intelectuais, Marie de Gounay vai de encontro ao debate com a igreja, refutando a ideia que se faz da Escritura de que o homem é dono da mulher, pois estes dois sexos vieram ao mundo como um só e suas únicas diferenças dizem respeito aos órgãos sexuais. Ou quando ela diz que: “Jesus Cristo é chamado filho do homem, embora ele só o seja da mulher” e ainda sobre a religião, ela diz: “Se os homens se vangloriam que Jesus Cristo tenha nascido com seu sexo, respondemos que tinha de ser assim, por um necessário decoro. Se ele tivesse sido do sexo feminino, não poderia ter se misturado às multidões a qualquer hora do dia e da noite a fim de socorrer, converter e salvar o gênero humano […] E ainda que alguém seja tão obtuso a ponto de imaginar que Deus é masculino ou feminino, embora seu nome pareça ter uma ressonância com o masculino, não há a necessidade de escolha de um sexo em detrimento de outro para honrar a encarnação de seu filho, esta pessoa mostra claramente que é tão mal filósofo, como teólogo”.

Deixo expressa aqui minha devoção a esta mulher.

– Rejane Leopoldino

 

 

É por esse motivo que não escrevo mais poemas desde 2016.

Um amigo me perguntou após ler o meu blogue de cabo a rabo, o por que de desde o fim de 2016 eu não ter mais escrito poemas. Bom, aqui escrevo a minha perturbadora resposta mascarada de desabafo.


Pode ser uma novidade para vocês, mas o blogue existe desde dezembro de 2014. vejamos em 2014 eu tinha… 16 anos, estou com 21 agora, é faz tempo. Eu comecei escrevendo poesias, a única categoria do site era: “poemas”, não haviam outras categorias. Eu estaria mentindo se dissesse que as poesias eram boas, mas elas também não eram ruins, eram poesias adolescentes dedicadas aos meus namoradinhos. Vá… eu tinha 16 anos.

Eu continuei por mais dois anos escrevendo minhas poesias no blogue, elas foram melhorando e eu estava orgulhosa do meu progresso, já não eram sobre os namoradinhos, eram muito mais maduras. Até que em 2016, poucos dias depois de eu completar 18 anos, conheci uma jovem moça, que felizmente não me lembro do nome, metida a intelectual, com um ar de superioridade e a falsa maturidade dos seus 22 anos. A conheci dentro de um shopping na livraria da Saraiva onde eu estava sentada em uma das mesas escrevendo alguns versos, esta moça procurava um lugar para sentar pois todas as outras mesas estavam cheias, ela perguntou se poderia se sentar comigo, eu disse que sim e começamos a conversar, ela viu que eu estava escrevendo poesias, perguntou se eu gostaria de ler as poesias dela, eu disse que sim e ela tirou um caderno da sua bolsa e as mostrou para mim. Os poemas de fato eram ótimos, muito bem escritos, lembro de me sentir o patinho feio dos poetas quando ela pediu que eu mostrasse a ela os meus versos.

Quando ela leu o meu caderninho de poemas, não fez comentários sobre o conteúdo do que eu havia escrito, apenas arqueou uma sobrancelha e perguntou quais os tipos de “formas poéticas” que eu mais gostava de utilizar e eu perguntei com muita ingenuidade: “como assim?”. Ela riu da minha cara. Achou ridículo (e ela realmente utilizou esta palavra) eu não saber o que era um poema Dístico, Décima, ou que Sonetos são compostos por exatamente 14 versos. Eu me senti realmente humilhada com a risada dela. Eu só tinha 18 anos, era uma garota sensível que não estava preparada para sofrer deboche e ridicularização de uma pessoa desconhecida e metida a intelectual. Ela disse que os meus poemas seriam melhores se eu escrevesse como ela e começou a reescrever sem nenhum pedido meu ou autorização os meus poemas em uma folha avulsa de seu caderno, corrigindo a forma poética se esnobando para mim, eu me senti humilhada pela crítica negativa aos meus poemas juvenis, tão humilhada que eu não tinha forças na voz para argumentar, só queria sair dali e ir chorar em uma cabine do banheiro feminino.  Ficar sentada naquela mesa enquanto eu a assistia debochar dos meus poemas e “corrigi-los” sem nenhuma autorização, foi uma tortura. Primeiro porque eu permaneci em silêncio, chocada demais com o atrevimento da atitude dela, segundo porque o meu silêncio deu a certeza que ela precisava de que podia me esnobar o quanto quisesse que eu não seria capaz de contra atacar.

Depois de alguns minutos sob aquela tortura, eu tive um lampejo de amor próprio, peguei minhas coisas, me levantei da mesa sem olhar para a cara daquela moça e fui chorar no banheiro. Pelo menos eu saí da mesa com classe e elegância.

Eu estava trancada na cabine do banheiro chorando horrores e com muita raiva, joguei o caderno onde escrevia meus poemas na lixeira e em cima do caderno rasguei vários pedaços de papel higiênico até acabar com o rolo de papel da cabine e lotar a lixeira. Foi uma cena deprimente.

Passei um ano inteiro sem ler poemas, voltei a ler no início de 2018 mas nunca mais consegui escrever nem um versinho que seja. E olha que já tentei diversas vezes. Até hoje me sinto acuada e constrangida em sequer tentar escrever um poema, me parece uma escrita inalcançável, me sinto indigna, envergonhada, ridicularizada como se eles fossem reservados apenas aos seres humanos que sabem aos 18 anos o que é um poema “dístico”, ah, por favor… Não demorou muito para eu sentir vergonha de todos os poemas que eu já havia publicado no blogue, a humilhação que aquele ser humano me submeteu realmente me impactou negativamente e me fez acreditar que eles eram poemas horríveis, capazes de gerar asco, então, a primeira coisa que fiz depois de jogar meu caderno fora, foi ir para casa e deletar quase todos os meus poemas (salvo um ou dois), não queria que ninguém mais visse o que eu havia escrito. Hoje, os meus arquivos de publicações daquele ano no WordPress estão assim:

Capturar

“Desconhecido ou excluído” – frase repetida mais de 30 vezes, um embaixo do outro se referindo a todos os poemas que excluí do blogue.

Para mim, poemas nunca se prenderam às regras gramaticais e a licença poética sempre me pareceu ser muito mais do que apenas uma incorreção da linguagem permitida na poesia. Poesia é liberdade de expressão, o escritor se desprende da normatividade das regras gramaticais em busca de atingir seus objetivos de expressar o que sente. A poesia não é e nem deve ser engessada, dura, construída com cimento sob normas que poucos seres humanos obedecem. Se eu soubesse em 2016 o que sei hoje sobre poesia, com certeza não teria ficado em silêncio enquanto aquele ser humano debochava da minha ingenuidade. Mas não tem jeito, a praga foi jogada. Não consigo mais escrever poemas, sinto pavor em receber uma crítica. A categoria de “poemas” do blogue já não tem nenhuma poesia, apenas textos aleatórios.

– Rejane Leopoldino

 

Arqueofeminismo de Maxime Rovere

 “Tudo o que os homens escreveram sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles são, a um tempo, juiz e parte”.
François Poullain de la Barre (1647-1725)

Há um livro que indico imenso a leitura, ele chama-se “Arqueofeminismo” organizado por Maxime Rovere, livro este que me inspirou a escrever esse texto e com certeza, a escrever outros tantos e que reúne em um volume textos escritos por duas mulheres fabulosas, Marie de Gournay e Olympe de Gouges e que estão entre as maiores intelectuais dos séculos XVII e XVIII, assim como três textos escritos por homens, François Poullain de la Barre, Choderlos de Laclos e Nicolas de Condorcet, que defenderam a presença das mulheres nos campos políticos, intelectuais e da vida pública. Leiam, de verdade.


A história das mulheres na filosofia foi acobertada. Da antiguidade ao início do século XX a sociedade patriarcal européia reservou o estudo das letras e da filosofia aos homens. Esse monopólio da educação esforçou-se muito em manter as mulheres longe dos campos filosóficos, da literatura e até mesmo da política.
O  monopólio patriarcal não obteve sucesso. Ao longo da história, é possível encontrar vestígios de mulheres que contribuíram imenso para os marcos de sua época. São algumas delas: na Grécia, Temista e Hipátia, famosa neoplatônica; no mundo cristão há também Hildegarda de Bingen (1098 – 1179) e Cristina de Pisano (1364 – 1430); no mundo islâmico, Fatima bint al- Muthanna, (século XII) entre tantas outras mulheres, e se essas mulheres (que são exceções na história por terem conseguido se educar), não conseguiram dar uma voz maior aos seus pensamentos, é em parte porque na história da filosofia, a Grande Narrativa, entoa aos nomes de Sócrates, Platão, Descartes, Tomás de Aquino, Kant… como diria Maxime Rovere, ao criticar o patriarcado no campo da filosofia, “continua a ser uma história de homens, feita por homens e para sua própria glória”.

É tentar tapar o sol com a peneira achar que a história da filosofia se desenvolveu durante alguns milênios sem a presença das mulheres. Para ir contra a narrativa que esconde as mulheres que contribuíram no campo da filosofia, é preciso um ardo trabalho arqueológico para que seja possível reequilibrar a maneira como contamos a história da filosofia que recobriu as importantes contribuições trazidas ao pensamento pelas mulheres e pelas questões levantadas por elas.

– Rejane Leopoldino

 

São muitas respostas para uma única pergunta e Amélia é uma paciente difícil.

Amélia acordou cedo, às 05:30 da manhã ela já havia tomado banho, vestido seu roupão branco, preparado o chá matinal de hortelã e sentado na cadeira de sua escrivaninha em uma infeliz segunda-feira nublada. Ela abre o notebook e fita os seus livros salvos em documentos do Word. Amélia já está mais do que aflita, quatro obras inacabadas e sem a menor previsão de serem concluídas. Pega a xícara, assopra a água quente do chá e dá um gole. Por que não conclui as obras? Não é falta de tempo, disso ela tem certeza, pois dedica-se todas as manhãs à acordar cedo para escrever, contudo, há uma enorme área cinzenta entre acordar para escrever e escrever de fato. Amélia abre um dos arquivos do word, seu primeiro e mais antigo livro está com 127 páginas, quase concluído, o segundo, 43 páginas, o terceiro, 86 páginas, já o quarto, apenas 22. Ela se descontenta com seus livros dia sim dia não, por diversas vezes já chegou a deletar todos eles antes de dormir, mas acordava no meio da madrugada para recuperá-los da lixeira eletrônica. Madrugadas estas em que não voltava a dormir, ficava acordada até nascer os primeiros raios de sol tentando ao máximo dedicar-se à escrever uma linha que fosse, contanto que fosse uma boa linha.

Conversa com o terapeuta, na mesma segunda-feira, algumas horas mais tarde:

“Por que não conclui ao menos um, Amélia?” – pergunta seu terapeuta cruzando as mãos em cima do colo.
Amélia pensa um pouco, suspira pesado se ajeitando na poltrona, começa a morder os lábios inferiores até deixá-los vermelhos. “Não me acho uma escritora boa o suficiente, não acho os livros bons o suficiente.”
O terapeuta descruza as mãos e apoia o cotovelo direito na braçadeira da poltrona, levando a mão ao queixo. “E o que é o suficiente para você?
Amélia não precisou sequer pensar para dar a resposta, na verdade, ela se surpreendeu pelo seu terapeuta ter feito esta pergunta, pois achava a resposta óbvia demais. “Nada menos do que perfeito, que cause espanto, que prenda o leitor, que o faça ler e reler os livros, devorá-los, e se não for pedir muito, que seja considerado um marco da época.” 
O terapeuta não conseguiu esconder o ar de espanto na sua expressão “Não acha que está se cobrando demais?”
Amélia sentiu como se a pergunta fosse um soco na boca do estômago, aliás, um soco teria ferido menos seu ego. “De forma alguma! se eu já não me encanto mais com o que escrevo, como outros vão se encantar?”
O terapeuta raciocinou por alguns segundos, arrumou a armação do óculos e respondeu: “Vamos utilizar uma analogia: depois de alguns anos em um relacionamento, é perfeitamente natural que aos poucos se perca o brilho do primeiro encontro, o fascínio em desbravar outro alguém, sejam seus sentimentos ou seu corpo, esse fascínio se esvai, mas isso não quer dizer que a pessoa se tornou menos interessante, quer dizer apenas que já a conhecemos o suficiente para não nos impressionarmos com facilidade, contudo, essa pessoa será sempre mais interessante para alguém que ainda não a conheça. O mesmo vale para seus livros, não acha? Você pode não estar mais impressionada, mas isso não quer dizer que eles não sejam impressionantes para outros leitores, apenas que você perdeu o fascínio por eles.”
“E o que você sugere que eu faça? Procure algo que ainda me interesse neles?” Amélia respondia debochada, duvidando da capacidade do seu terapeuta em oferecer uma solução.
“Fortaleça o seu relacionamento com seu livro mais antigo, procure pelo o que te motivou a escrevê-lo. Já chega de arranjar amantes, você está namorando um e se relacionando com outros três.” o terapeuta se referia aos outros três livros inacabados que Amélia havia começado antes de terminar o primeiro.
“É pra isso que estou pagando esta hora?”

– Rejane Leopoldino

Tenho que ir, vou encontrar César para almoçar e não quero me atrasar.

Um amigo muito querido e mais de vinte anos mais velho do que eu chamado César, me disse uma vez quando eu tinha 16 anos, há 5 anos atrás enquanto tomávamos o café da tarde em uma cafeteria, que conforme eu fosse ficando mais velha eu reafirmaria minha identidade com menos preocupações em ser ou não aceita socialmente. Ele não estava errado. Com 16 anos eu ainda fazia um esforço considerável para ir às festas que meus amigos me chamavam, me “enturmar” como dizemos. Hoje já não mais. Se alguém me perguntar se eu quero ir a alguma festa, eu direi que não, e se me perguntar o por que, direi que é porque eu não quero/não gosto. Simples assim, sem enrolações, sempre fui muito mais chegada aos bares do que as movimentadas baladas, pois aglomerações de pessoas me incomodam imenso. Reafirmar meus gostos foi um trunfo na manga, com o tempo meus amigos já sabiam do que eu realmente gostava ou não de fazer e pararam de me forçar a participar de reuniões sociais regadas a música alta, bebida e aglomerações de pessoas suadas.

Com o tempo eu também adquiri minhas preferências, parei de me espelhar nas referências das pessoas que eu admirava e criei minhas próprias, se a três anos atrás eu gostava da livraria Martins Fontes na Av. Paulista, porque um amigo dito “intelectual” gostava também, hoje eu sei que prefiro dez vezes mais a Livraria da Travessa, também na Av. Paulista, mas dentro do Instituto Moreira Salles, uma livraria intimista, em um espaço repleto de exposições e manifestações artísticas, é aconchegante.

Nos últimos anos também percebi que eu tenho uma preferência pelas mulheres e escritoras que falem sobre a trajetória  feminina na filosofia e não só. Marie de Gournay, Mary Wollstonecraft, Olympe de Gouges pseudônimo de Marie Gouze, entre outras mentes brilhantes que não desapontam em abordar como a pouca escolaridade  feminina desde o século XVI ao fim do século XVIII foi uma ferramenta fundamental para que os homens se destacassem como superiores às mulheres. Todas elas em seus respectivos espaços temporais, trazem visões muito diferentes que viriam a contribuir alguns séculos depois para o pensamento feminista.

Mas já estou começando a divagar, o que quero dizer por fim, é que no pouco tempo em que habito este planeta, reafirmar meus gostos tem sido muito melhor do que me adequar as expectativas alheias.

– Rejane Leopoldino